Chefão

De cela em Pernambuco, suspeito liderou ataques de facção no Ceará

Paraibano de 45 anos de idade é apontado pela Polícia Federal como um dos fundadores de grupo criminoso que explodiu torre de transmissão de energia em abril. Dentro de sua cela foi encontrado um celular

27/09/2019 00h20
Por: OP9
Os ataques voltaram a ser registrados na região na sexta-feira (20). Foto: Divulgação/PF
Os ataques voltaram a ser registrados na região na sexta-feira (20). Foto: Divulgação/PF

De sua cela no presídio de Limoeiro, no Agreste de Pernambuco, um paraibano de 45 anos de idade comandou uma série de ataques de uma facção criminosa no Ceará, incluindo a tentativa de explosão de duas torres de transmissão de energia em abril.

Ele foi alvo, na quarta-feira (25), da Operação Torres, da Polícia Federal, em cumprimento de ordem judicial da Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Justiça do Estado do Ceará e vai responder pelos crimes de dano, incêndio e participação em organização criminosa. Preso desde 2013, ele foi condenado por explosão de terminais eletrônicos de agências bancárias com o uso de explosivos. Dentro da sua cela foi encontrado um aparelho celular.

Segundo as investigações, as ações do grupo criminoso foram praticadas sob determinação de lideranças que cumprem pena em presídios. As ordens eram planejadas por essas lideranças e executadas por outros integrantes da mesma organização criminosa que se encontravam em liberdade.

No local onde as torres que foram alvo do ataque de 1° de abril estão localizadas, na cidade de Maracanaú, Região Metropolitana de Fortaleza, existem quatro dos equipamentos, mas somente dois deles foram alvo da ação. A explosão foi um ataque isolado que tem ligação com as duas ondas de ataques de facções criminosas, em represália ao tratamento mais rígido adotado no interior dos presídios da região.

Dentro da cela do suspeito de liderar facção criminosa no Ceará foi encontrado um celular. (Fotos: PF/Reprodução)

Os ataques voltaram a acontecer este mês e já chegam a um total de 64 ações em todo o Ceará. Desde o dia 20, pelo menos 75 carros foram destruídos e 11 equipamentos públicos e privados, atacados. Os primeiros acontecimentos começaram em 2 de janeiro, e seguiram até o início do mês de fevereiro.

Ao todo, segundo a Polícia Federal, 15 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, em relação a nova onda de ataques, no Ceará e em Pernambuco. Além disso, 257 detentos, supostamente ligados à facção criminosa que ordenou o vandalismo, foram transferidos para outras unidades de detenção. Em janeiro, Segundo a Secretaria de Segurança do Ceará, 319 pessoas foram presas. Todas elas autuadas em flagrante por participação nos atos criminosos registrados no estado.

Um recado atribuído a uma facção criminosa local, os Guardiões do Estado (GDE), promete agora um ataque generalizado a prédios públicos, empresas privadas, concessionárias de carros, ônibus e até supermercados.

No entanto, de acordo com a assessoria de Comunicação do governador Camilo Santana (PT), o comunicado, que data do último dia 20, “não passa de um ‘salve’ que circulou por aí”. Segundo os detentos, a prática dos agentes penitenciários é dada como “exagerada” e, se não mudar, haverá “terror”.

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