Agressão

Vítima de racismo, professor do IF-Sertão é agredido por seguranças da GMSP no São João de Petrolina

“Além dos hematomas e do trauma psicológico, tais agressões resultaram na torção e em uma luxação no braço direito de Judson, que terá que se afastar de suas atividades em sala de aula por pelo menos 15 dias”

São João 2019

São João 2019São João, a maior festa do Nordeste!

21/06/2019 16h24Atualizado há 3 meses
Por: Wallace Maciel
Fonte: Gilmar Santos/Blog
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Judson Medeiros Alves, professor do IF Sertão, foi abordado e covardemente agredido na madrugada do dia 15 quando se dirigia à saída do Pátio Ana das Carrancas, em Petrolina- onde acontece o São João do Vale, por seguranças da empresa GMSP, que trabalhavam no evento. De acordo com testemunhas, a motivação da agressão seria o fato do professor ser negro.

Segundo informações, um dos seguranças exigiu que Judson levantasse as mãos, e sem entender a situação ele fez o que foi pedido e questionou o que estava acontecendo. O segurança insistiu para que ele ficasse com as mãos levantadas e não ofereceu qualquer oportunidade de resposta ao professor, que subitamente foi surpreendido com um golpe “mata-leão”, também conhecido como “gratava”, onde foi lançado ao chão. Na ocasião, outro segurança se aproximou e colocou o pé na região torácica da vítima, reforçando a violência da imobilização.

As agressões só cessaram quando um dos amigos que o acompanhava informou que além de cidadão, Judson era professor do IF-Sertão. Nesse momento o comportamento dos seguranças mudou e um deles perguntou ao primeiro, “é ele mesmo?”. Resposta: “acho que sim, parece com o cara que estava fazendo arruaça durante a festa”. E finalmente, sem certezas, reconheceram que tudo não passava de uma grande confusão.

O professor foi socorrido pelos amigos e encaminhado até a UPA. Além dos hematomas e do trauma psicológico, tais agressões resultaram na torção e em uma luxação no braço direito de Judson, que terá que se afastar de suas atividades em sala de aula por pelo menos 15 dias.

A forma truculenta, antiprofissional, desproporcional com que o professor foi abordado, deixa nítida a cultura e estrutura racista ainda tão arraigada em nossa sociedade, principalmente nas instituições públicas e privadas do nosso país.

Diante de tamanho absurdo, fica o questionamento: sendo o suposto “arruaceiro” um homem branco, esses seguranças abordariam da mesma forma truculenta, desumana e antiprofissional, outros homens brancos até identificar o real “delinquente”?

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